quarta-feira, 6 de maio de 2009

Nova Iguaçu de olho no futuro de seus moradores

Por Leonardo Oliveira e Lucas Lima
Com o objetivo de democratizar o acesso às universidades públicas federais, foi realizada uma parceria com a Prefeitura Municipal de Nova Iguaçu e a Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, e criado o Curso Pré-Vestibular – CPV, um projeto integrado ao Bairro Escola.
O programa teve seu inicio no ano de 2006, com apenas 450 vagas. Devido ao sucesso do projeto, hoje ele oferece um número aproximado a mil vagas. O curso é integralmente financiado pela prefeitura, sendo assim totalmente gratuito, não cobrando taxa de inscrição, oferecendo material didático, uniforme e direito a passe escolar.Os candidatos devem já ter concluído o Ensino Médio ou estar cursando o mesmo. Além de ser obrigatoriamente morador de Nova Iguaçu e ser aprovado em realizar uma prova de seleção. O pré-vestibular tem duração de 10 meses, com início em março e término em dezembro. As aulas são realizadas no período noturno de segunda a sextas-feiras e a pela manhã aos sábados.Para que ele possa atender um grande número de moradores do município, as aulas são ministradas em unidades distribuídas em pontos estratégicos. Nas escolas municipais Rubens Falcão, Julio Rabello, Douglas Brasil, Venina Correa, Monteiro Lobato e no colégio Menino de Deus. Com 21 turmas, seis a mais que 2008.Todos os professores do CPV-NI são alunos de graduação e pós-graduação da UFRJ. Orientados semanalmente por professores concursados dessa universidade, os capacitando assim, para que eles possam trazer toda a qualidade necessária para as salas das escolas de Nova Iguaçu.Bairro Escola também educa a terceira idadeOs alunos do CPV são predominante jovens de 17 a 25 anos, o que não é, porém uma regra, já que um grupo resumido, entretanto, não mesmo participativos e dedicados é cada vez mais presente nas salas de aulas. Exemplo que ilustra a situação é Ademaria Lopes. “Fiz a prova com o meu filho só para acompanhá-lo e passamos os dois. Ele saiu e eu continuei. Ano passado passei para UFRRJ, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, e estou aguardando na lista de reclassificação” declara a Operadora de Telemarketing que não quis revelar sua verdadeira idade.Ademaria está no seu segundo ano de curso, assim como ela, José Ribeiro do Amaral não está no seu primeiro como pré-vestibulando. “No primeiro ano minha mulher teve problemas de saúde e precisei sair para cuidar dela”. Seu Amaral, assim conhecido por todos, conheceu o curso pré-vestibular por uma professora do projeto, “Eu conheço uma professora desse curso que é minha vizinha e amiga. Ela me falou que estava trabalhando em um pré-vestibular da UFRJ e disse pra que fizesse a prova, eu fiz e passei”. Ele só tem elogios ao projeto, “Gostei muito do CPV, ele é muito bom, uma ótima iniciativa da prefeitura e pra mim está sendo um sucesso”. Apesar da sua idade não fazer parte da grande maioria dos alunos, ele garante que nunca teve problemas quanto a isso, “O meu relacionamento com as pessoas é da melhor qualidade, o que me deixou até surpreso. Sempre me dei bem com todo mundo”.
O curso também é procurado por pessoas que já tem suas profissões definidas, mas que esperam com ele alcançar um melhor desempenho profissional. “As pessoas do meu convívio acharam muito legal porque no meu meio, qualquer coisa que a gente faz pra se atualizar é muito importante, isso conta muito ponto pra mim profissionalmente” conta Sueli Batista, 45. “Meus amigos acharam lindo, porque eu estou igual criança no meio dos jovens” brinca a professora de 1º a 4º série que dá aula para crianças especiais.A idade diferencial não fez parte apenas dos alunos, a professora do pré-vestibular Roseane Carneiro, 45, não se deixa abalar e só pensa em estudar e aprender cada vez mais. “Sempre gostei de estudar, está dentro de mim”. Roseane cursa licenciatura de Letras e já pensa em inicia a logo concluir seu mestrado. “Nunca tive problemas quanto minha idade, na faculdade as idades são bem misturadas, claro que os jovens são a maioria, mas também existem pessoas que todas as idades até muito mais velhas que eu”.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Leão esquece as dificuldades para cair na folia

texto: Leonardo Oliveira e Lucas Lima
fotos: Lene Santoli


O carnaval do município de Nova Iguaçu possui o segundo maior desfile de escolas de samba do estado do Rio de Janeiro. A cidade possui 17 escolas que participam do desfile anual que a acontece no centro da cidade. Dentre essa, duas participam também do desfile do estado, Leão de Nova Iguaçu e a Imperial de Morro Agudo.
A segunda delas, Grêmio Recreativo Escola de Samba (GRES) Leão de Nova Iguaçu, situada no bairro de Santa Eugênia e formada em 1968 quando decidiu se tornar uma escola, pois inicialmente era um bloco de rua, o Bloco Recreativo Leão de Iguaçu. A fundação do Leão, assim conhecido popularmente pelos moradores do bairro, foi uma iniciativa de um grupo de jovens que queriam divulgar o carnaval na cidade.
A escola já esteve no grupo especial no ano de 1992 com uma grande homenagem à escritora de novelas Janet Clair com o enredo “O Leão na selva de ilusões”, neste mesmo ano a escola foi rebaixada e caiu para o grupo de acesso. Passando por vários vitórias e derrotas, se encontra hoje no grupo Rio de Janeiro 3, o penúltimo grupo de escolas de samba do carnaval carioca.
Ainda hoje a escola vem enfrentando muitos problemas, “A escola está um pouco desligada com o bairro, o motivo maior disso é a má administração de diretorias passadas. A comunidade está desacreditada no leão” conta Anderson Miranda, 32, um dos atuais diretores. Com a mesma visão a diretora do departamento feminino Sueli Henrique, 63 disserta sobre o assunto, “O grande problema é a falta de competência da diretoria para com os moradores do bairro. Eles prometem ter lazer e esporte, por exemplo, começam e não dão seqüência. Com certeza teriam um apoio maior das pessoas se fizessem isso. Eles têm que fazer o bairro acreditar neles”. Outro grande problema encontrado pela escola é a falta de verba e de apoio do governo.
Grande parte de integrantes da escola acreditam que a integração escola-moradores trará melhores resultados à agremiação, “Se a diretoria fizer um bom trabalho social esta ligação pode ser refeita” afirma o carnavalesco Ivan Carneiro, 62, que pretende se candidatar à futura presidência para pôr seus projetos em prática, “Eu vou concorrer na chapa para a presidência e pretendo ajudar a levantar aquela escola, fazendo escolinhas de futebol, escolinhas de mestre-sala e porta-bandeiras para crianças”, completa.
Em sua trajetória a escola já teve grandes nomes do samba dentro do seu grupo de compositores e puxadores como Dedé da Portela, Dacy da Mangueira e o famoso Neginho da Beija flor, ex-morador do bairro.
O diretor Anderson afirma que a interação entre as pessoas da comunidade já está começando a ser refeita, exemplo disso é a realização do Bloco da Toalha, realizado na própria rua da escola, no ultimo sábado, dia 14. “Das 400 camisas disponíveis, 320 já foram vendidas para a participação do bloco, e esse dinheiro arrecadado será revertido na melhoria da quadra e para que possamos melhor atender o bairro, porque existem pessoas muito carentes aqui”.Neste ano a agremiação desfila com o enredo “Da pré-história ao carnaval, o leão conta a sua história”, esperando um bom desempenho e subir para o grupo Rio de Janeiro 2 e estando assim mais próximo do Grupo Especial.

Feira da discórdia

por Leonardo Oliveira

Acontece a aproximadamente 10 anos no bairro de Santa Eugênia uma feira automotiva que promove a negociação de veículos dos moradores da região. A feira ocorre todos os domingos pela manhã nas proximidades do supermercado Extra.
Os vendedores chegam ao local e expõem seus veículos livremente sem qualquer organização formal, pois existe um grande interesse por veículos mais em conta. “Estou aqui à procura de um carro mais barato, até porque as prestações em uma concessionária estão super altas”, comenta a jovem Ilce Camila da Silva, 19 “Vale mais a pena compra um carro usado do que um 0 km” conclui a jovem.Embora a feira seja informal, os vendedores afirmam que a transação é totalmente legalizada, sendo registrada em cartório e acompanhada pelo DETRAN, trazendo assim uma maior segurança para os compradores. Assim como a legalização, o pagamento também não é realizado no local da feira para que haja um maior conforto entre ambas as partes. O interessado e o vendedor entram em contato e juntos combinam as melhores condições depagamento. “A feira funciona apenas como uma vitrine de divulgação, o trâmite é todo feito na minha casa” declarou o negociador Carlos Faria, 42.A história da feira é contada pela comerciante Neucina Eneu, 57. Ela conta que a feira acontecia no estacionamento do extinto mercado Paes Mendonça, porém quando o mesmo passou a ter uma nova administração o evento passou a ser realizado ao lado de fora, causando assim um grande incomodo para um grupo de moradores. “Não gosto dessa feira, pois simplesmente atrapalha todo o transito. É horrível quando os pedestres precisam passar pela calçada e ela está completamente interditada”. É fácil perceber o grande transtorno que é causado, “até mesmo os ônibus precisam esperar o da contra mão passar para que ele possa seguir em frente” reclama a moradora Heliédina Ferreira, 33. Um outro constante incomodo dos moradores é a sujeira deixada pelos vendedores em geral.Entretanto, um outro grupo de moradores não se incomoda com o acontecimento semanal, como o morador Paulo Henrique, que passeia com seu filho pequeno no local, “Não me incomodo nem um pouco, é bom para as pessoas que tem dificuldade para vender seus carros e motos, resido no bairro à 34 anos e nunca me importei”, conta o morador de mesma idade.

O Som que fere

por Leonardo Oliveira

Com a vida corrida que a maioria das pessoas tem hoje em dia, não se percebe o nosso ambiente cotidiano, e com isso algumas coisas que também não se fazem presente, como o auto barulho nas cidades, a chamada e pouco conhecida Poluição Sonora. Esse tipo de poluição é um dos problemas ambientais mais graves identificados atualmente. Este tipo de poluição se dá através de ruídos, que é o som indesejado, e vem sendo considerada uma das formas mais graves de agressão ao homem e ao meio em que vive.


O professor de Geografia, Giovanni Oliveira, 34 anos afirma que a nocividade do ruído está diretamente ligada á exposição diária ao barulho das grandes cidades. “A exposição ao barulho de máquinas, automóveis, fábricas, etc, acaba afetando a vida do homem, sem que ele perceba o perigo que está correndo ao se expor todos os dias a toda esta emissão de ruídos”.


No país existem legislações especificas que regula o limite de emissão de ruídos e proporcionam medidas de proteção contra os efeitos danosos da poluição sonora, entretanto não é isso o que percebemos ao andarmos nas ruas. As atividades cotidianas estão praticamente todas á cima de todos os valores padronizados por esta legislação


O jovem Lucas Lima, 16 anos foi vítima das irregularizações urbanas, ao participar de uma festa de carnaval acabou tendo o seu aparelho auditivo prejudicado pelo auto volume do som. “Não ouvi mais nada quando som começou a tocar, achei que tinha ficado surdo”. Lembra o jovem.
Este é, também um dos maiores problemas em relação a poluição sonora, jovens, adultos e até crianças vivem com o famoso MP3 ligado aos seus ouvidos durante todo o dia, e isso com certeza acarretará sérios problemas para a audição no futuro.


Questionada sobre o assunto, a jovem Jessyca Pereira também mostrou seu ponto de vista sobre o assunto, “Meu pai foi canditado a vereador pela terceira ou quarta vez esse ano e não acho muito legal esses carros de político fazendo propaganda deles em um volume ensurdecedor”, conta a jovem de 17.
A solução desse fenômeno é bem menos complexo do que se pode imaginar, além do bom censo de todos, “A conscientização do problema por parte da população, aliada a outras medidas de prevenção, seria uma valiosa contribuição para a redução do ruído urbano. O desenvolvimento de novas tecnologias na construção de motores e máquinas, maior consciência dos motoristas e relações mais respeitosas e tolerantes por parte de pessoas e entidades que fazem uso de som em níveis elevados (clubes, igrejas, bares, casas noturnas, particulares)”. Aponta o professor.