domingo, 15 de fevereiro de 2009

Leão esquece as dificuldades para cair na folia

texto: Leonardo Oliveira e Lucas Lima
fotos: Lene Santoli


O carnaval do município de Nova Iguaçu possui o segundo maior desfile de escolas de samba do estado do Rio de Janeiro. A cidade possui 17 escolas que participam do desfile anual que a acontece no centro da cidade. Dentre essa, duas participam também do desfile do estado, Leão de Nova Iguaçu e a Imperial de Morro Agudo.
A segunda delas, Grêmio Recreativo Escola de Samba (GRES) Leão de Nova Iguaçu, situada no bairro de Santa Eugênia e formada em 1968 quando decidiu se tornar uma escola, pois inicialmente era um bloco de rua, o Bloco Recreativo Leão de Iguaçu. A fundação do Leão, assim conhecido popularmente pelos moradores do bairro, foi uma iniciativa de um grupo de jovens que queriam divulgar o carnaval na cidade.
A escola já esteve no grupo especial no ano de 1992 com uma grande homenagem à escritora de novelas Janet Clair com o enredo “O Leão na selva de ilusões”, neste mesmo ano a escola foi rebaixada e caiu para o grupo de acesso. Passando por vários vitórias e derrotas, se encontra hoje no grupo Rio de Janeiro 3, o penúltimo grupo de escolas de samba do carnaval carioca.
Ainda hoje a escola vem enfrentando muitos problemas, “A escola está um pouco desligada com o bairro, o motivo maior disso é a má administração de diretorias passadas. A comunidade está desacreditada no leão” conta Anderson Miranda, 32, um dos atuais diretores. Com a mesma visão a diretora do departamento feminino Sueli Henrique, 63 disserta sobre o assunto, “O grande problema é a falta de competência da diretoria para com os moradores do bairro. Eles prometem ter lazer e esporte, por exemplo, começam e não dão seqüência. Com certeza teriam um apoio maior das pessoas se fizessem isso. Eles têm que fazer o bairro acreditar neles”. Outro grande problema encontrado pela escola é a falta de verba e de apoio do governo.
Grande parte de integrantes da escola acreditam que a integração escola-moradores trará melhores resultados à agremiação, “Se a diretoria fizer um bom trabalho social esta ligação pode ser refeita” afirma o carnavalesco Ivan Carneiro, 62, que pretende se candidatar à futura presidência para pôr seus projetos em prática, “Eu vou concorrer na chapa para a presidência e pretendo ajudar a levantar aquela escola, fazendo escolinhas de futebol, escolinhas de mestre-sala e porta-bandeiras para crianças”, completa.
Em sua trajetória a escola já teve grandes nomes do samba dentro do seu grupo de compositores e puxadores como Dedé da Portela, Dacy da Mangueira e o famoso Neginho da Beija flor, ex-morador do bairro.
O diretor Anderson afirma que a interação entre as pessoas da comunidade já está começando a ser refeita, exemplo disso é a realização do Bloco da Toalha, realizado na própria rua da escola, no ultimo sábado, dia 14. “Das 400 camisas disponíveis, 320 já foram vendidas para a participação do bloco, e esse dinheiro arrecadado será revertido na melhoria da quadra e para que possamos melhor atender o bairro, porque existem pessoas muito carentes aqui”.Neste ano a agremiação desfila com o enredo “Da pré-história ao carnaval, o leão conta a sua história”, esperando um bom desempenho e subir para o grupo Rio de Janeiro 2 e estando assim mais próximo do Grupo Especial.

Feira da discórdia

por Leonardo Oliveira

Acontece a aproximadamente 10 anos no bairro de Santa Eugênia uma feira automotiva que promove a negociação de veículos dos moradores da região. A feira ocorre todos os domingos pela manhã nas proximidades do supermercado Extra.
Os vendedores chegam ao local e expõem seus veículos livremente sem qualquer organização formal, pois existe um grande interesse por veículos mais em conta. “Estou aqui à procura de um carro mais barato, até porque as prestações em uma concessionária estão super altas”, comenta a jovem Ilce Camila da Silva, 19 “Vale mais a pena compra um carro usado do que um 0 km” conclui a jovem.Embora a feira seja informal, os vendedores afirmam que a transação é totalmente legalizada, sendo registrada em cartório e acompanhada pelo DETRAN, trazendo assim uma maior segurança para os compradores. Assim como a legalização, o pagamento também não é realizado no local da feira para que haja um maior conforto entre ambas as partes. O interessado e o vendedor entram em contato e juntos combinam as melhores condições depagamento. “A feira funciona apenas como uma vitrine de divulgação, o trâmite é todo feito na minha casa” declarou o negociador Carlos Faria, 42.A história da feira é contada pela comerciante Neucina Eneu, 57. Ela conta que a feira acontecia no estacionamento do extinto mercado Paes Mendonça, porém quando o mesmo passou a ter uma nova administração o evento passou a ser realizado ao lado de fora, causando assim um grande incomodo para um grupo de moradores. “Não gosto dessa feira, pois simplesmente atrapalha todo o transito. É horrível quando os pedestres precisam passar pela calçada e ela está completamente interditada”. É fácil perceber o grande transtorno que é causado, “até mesmo os ônibus precisam esperar o da contra mão passar para que ele possa seguir em frente” reclama a moradora Heliédina Ferreira, 33. Um outro constante incomodo dos moradores é a sujeira deixada pelos vendedores em geral.Entretanto, um outro grupo de moradores não se incomoda com o acontecimento semanal, como o morador Paulo Henrique, que passeia com seu filho pequeno no local, “Não me incomodo nem um pouco, é bom para as pessoas que tem dificuldade para vender seus carros e motos, resido no bairro à 34 anos e nunca me importei”, conta o morador de mesma idade.

O Som que fere

por Leonardo Oliveira

Com a vida corrida que a maioria das pessoas tem hoje em dia, não se percebe o nosso ambiente cotidiano, e com isso algumas coisas que também não se fazem presente, como o auto barulho nas cidades, a chamada e pouco conhecida Poluição Sonora. Esse tipo de poluição é um dos problemas ambientais mais graves identificados atualmente. Este tipo de poluição se dá através de ruídos, que é o som indesejado, e vem sendo considerada uma das formas mais graves de agressão ao homem e ao meio em que vive.


O professor de Geografia, Giovanni Oliveira, 34 anos afirma que a nocividade do ruído está diretamente ligada á exposição diária ao barulho das grandes cidades. “A exposição ao barulho de máquinas, automóveis, fábricas, etc, acaba afetando a vida do homem, sem que ele perceba o perigo que está correndo ao se expor todos os dias a toda esta emissão de ruídos”.


No país existem legislações especificas que regula o limite de emissão de ruídos e proporcionam medidas de proteção contra os efeitos danosos da poluição sonora, entretanto não é isso o que percebemos ao andarmos nas ruas. As atividades cotidianas estão praticamente todas á cima de todos os valores padronizados por esta legislação


O jovem Lucas Lima, 16 anos foi vítima das irregularizações urbanas, ao participar de uma festa de carnaval acabou tendo o seu aparelho auditivo prejudicado pelo auto volume do som. “Não ouvi mais nada quando som começou a tocar, achei que tinha ficado surdo”. Lembra o jovem.
Este é, também um dos maiores problemas em relação a poluição sonora, jovens, adultos e até crianças vivem com o famoso MP3 ligado aos seus ouvidos durante todo o dia, e isso com certeza acarretará sérios problemas para a audição no futuro.


Questionada sobre o assunto, a jovem Jessyca Pereira também mostrou seu ponto de vista sobre o assunto, “Meu pai foi canditado a vereador pela terceira ou quarta vez esse ano e não acho muito legal esses carros de político fazendo propaganda deles em um volume ensurdecedor”, conta a jovem de 17.
A solução desse fenômeno é bem menos complexo do que se pode imaginar, além do bom censo de todos, “A conscientização do problema por parte da população, aliada a outras medidas de prevenção, seria uma valiosa contribuição para a redução do ruído urbano. O desenvolvimento de novas tecnologias na construção de motores e máquinas, maior consciência dos motoristas e relações mais respeitosas e tolerantes por parte de pessoas e entidades que fazem uso de som em níveis elevados (clubes, igrejas, bares, casas noturnas, particulares)”. Aponta o professor.